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Slam das Minas: 'Ninguém precisa levar arte para a favela, ela já vive lá'

Kamille Viola

2018-05-20T19:08:00

18/05/2019 08h00

As organizadoras do Slam das Minas RJ. Foto: divulgação/Laura Jeunon

O primeiro campeonato internet de poesia falada da América Latina, o Rio Poetry Slam, aconteceu em 2014 na FLUPP – Festa Literária das Periferias. De lá para cá, esse formato só fez se espalhar pelo país. Criados na década de 1980 nos Estados Unidos, os slams chegaram ao Brasil apenas nos anos 2000. Nas competições, cada participante tem até três minutos para ler seu poema, que pode ter sido escrito previamente ou ser improvisado na hora. Um júri dá notas, e quem tiver a maior pontuação vence.

O primeiro Slam das Minas RJ aconteceu há quase dois anos, em 23 de maio de 2017. Hoje, a batalha é organizada por Andrea Bak, Carol Dall Farra, Débora Ambrósia, Genesis, Letícia Brito,  Lian Tai, Rejane Barcellos e DJ Bieta. Formado por mulheres periféricas, o Slam tem como missão "proporcionar experiências poéticas e empoderadoras para pessoas LGBTIQ+ e mulheres cisgêneras". Letícia falou com o blog sobre o coletivo, que se apresenta nesse sábado no Santo Cristo, em evento onde convida a Chora  — Mulheres na Roda, que reúne musicistas em torno do gênero musical de Pixinguinha. 

O que é o Slam das Minas RJ, na definição de vocês?

Slam das Minas é uma batalha lúdico poética organizado por Andrea Bak, Carol Dall Farra, Débora Ambrósia, Genesis, Letícia Brito,  Lian Tai, Rejane Barcellos e DJ Bieta. Após as manifestações de 2013, o slam começou a se propagar em outros estados para além de São Paulo. O Slam Resistência de São Paulo foi um dos primeiros a postar seus vídeos na rede social mais conhecida da época. Entendemos que as viralizações dos vídeos de poesia, em oposição ao crescimento do conservadorismo no país, ajudaram a promover os slams como uma forma artística de resistência.

Qual o objetivo do coletivo?

O Slam das Minas RJ surgiu em reação às opressões estruturais mais frequentes: racismo, machismo e LGBTIQfobia e na perspectiva de se tornar um espaço seguro para o desenvolvimento da potência poética e artística de mulheres e LBTIQs. O primeiro evento do Rio de Janeiro foi realizado no Largo do Machado, em 23 de maio de 2017.

Qual o objetivo do coletivo?

Agir para manter a dignidade e visibilidade das mulheres de modo contínuo de exercitar o poder contra as desigualdades sociais e violências de gênero. Essa ação sustenta o Slam das Minas RJ. O rompimento de toda forma de opressão é bancado através do fortalecimento da oralidade, pela expressão artística performática, pelo revigoramento da imaginação poética, pela valorização das raízes culturais locais, bem como a ressignificação do luto como forma de criar autonomia e engajamento social. Pela  linguagem artística, nossa missão é proporcionar experiências poéticas e empoderadoras para pessoas LGBTIQ+ e mulheres cisgêneras. Exceto homem cis. Viver de nossa arte e ajudar outras mulheres e LGBTs a também se fortalecerem de suas dores por meio da poesia, da oralidade, da leitura e da escrita.

Como costuma ser o efeito das apresentações nas plateias?

A poesia atravessa as dores e as potências das pessoas. São muitos os efeitos. Desde a menina que deseja ler seu primeiro poema no microfone aberto e se sente acolhida pra isso, até a mulher que pede apoio no inbox pra sair de um relacionamento abusivo no qual sofre de violência doméstica. A poesia cura, transforma, empodera e revoluciona.

Vocês iam participar de um evento no Vidigal domingo (adiado por conta das chuvas). Qual a importância de ir até a favela com o Slam?

A maioria de nós vive em favelas. Ir até a favela é apenas dialogar com pessoas que vivem realidades semelhantes às nossas, e ajudar a identificarem e estimularem as potências locais. Ninguém precisa levar arte para a favela. A arte já vive lá. Só é preciso que as artistas se reconheçam e se aceitem para alcançarem suas máximas potências.

Vai lá:
Slam das Minas convida Chora — Mulheres na Roda
Quando: Sábado, 18 de maio, às 16h
Onde: Bar Molejão. Rua Carlos Gomes, 74 – Santo Cristo
Quanto: contribuição voluntária

Sobre a autora

Kamille Viola é jornalista, com passagens e colaborações por veículos como O Dia, O Globo, O Estado de S. Paulo, Billboard Brasil, Bizz e Canal Futura, entre outros. Nascida e criada no Rio, graças ao jornalismo já andou pelos mais diversos cantos da cidade.

Sobre o blog

Do pé-sujo mais tradicional ao mais novo (e interessante) restaurante moderninho, do melhor show da semana à festa mais comentada, este blog busca fazer jus à principal paixão do carioca: a rua.