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Destaque da cena de Belém, Félix Robatto traz festa paraense para o Rio

Kamille Viola

30/11/2018 13h11

Félix Robatto traz sua festa para o Rio. Foto: divulgação

Uma noite paraense vai aportar no Rio neste fim de semana. Sucesso em Belém, a festa Lambateria, criada e comandada pelo cantor e guitarrista Félix Robatto, faz sua primeira edição carioca este domingo na Boca, na Praça Tiradentes. Guitarrada, lambada, cumbia, merengue, brega e carimbó vão ser a trilha da noite, que tem como atrações Robatto, o DJ Zek Picoteiro, residente da festa, a DJ Rebarbada e a convidada Myra Mara, da festa carioca Xêpa.

O guitarrista traz seu novo show, "Eu & Tour", em que sobe ao palco sozinho, usando voz, guitarra e samples. Ele conta que o novo formato tem sido um desafio. "Porque atenção fica toda concentrada em mim e no que está rolando de som. Porque na verdade é toda uma pré-produção que é executada na hora do show, que a gente fica torcendo para dar tudo certo, porque a gente fica dependendo quase 100% de equipamentos eletrônicos, para tocar sincronizado com isso e interagindo com isso. Para mim, é uma novidade, mas estou curtindo muito, cada vez mais. Eu acho que a tendência é eu me abrir mais para isso e começar a circular sozinho por alguns festivais", comenta Robatto.

Em 2014, ele criou a festa Quintarrada, onde recebia convidados da música paraense, além de contar com DJ. Em 2016, o nome mudou para Lambateria. Para ele, o segredo do sucesso do evento é simples. "É uma festa para dançar, não é só para eu aparecer com a minha barba (risos), ou para a galera olhar para a minha cara, ou conhecer minhas músicas, não. É para dançar. É uma festa para se divertir. E isso acaba criando um hábito das pessoas se encontrarem lá para dançar e conhecer outras atrações, as misturas que a gente faz lá com artistas", arrisca.

Robatto é um velho conhecido da cena paraense. Em 2004, formou a banda instrumental La Pupuña, que conquistou o cenário independente, chegando a se apresentar no cultuado festival americano SXSW. EM 2007, o artista lançou o projeto "The Charque Side of the Moon", uma releitura do clássico álbum "The Dark Side of the Moon", do Pink Floyd, com ritmos amazônicos. Com o fim do La Pupuña, em 2010, o guitarrista lançou o grupo Félix y Los Carozos. No mesmo ano, passou a integrar a banda da cantora Gaby Amarantos, produzindo o primeiro álbum dela, "Treme", de 2011.

Seu primeiro disco solo foi "Equatorial, quente & úmido", de 2015, que mistura as influências dos trabalhos anteriores dele. A faixa "Eu quero cerveja" fez barulho. Em 2017, foi a vez de "Belemgue benguer", resultado de uma pesquisa sobre a lambada, ritmo que surgiu no Pará na década de 70. Agora ele prepara 'Tecno-surf-brega', um disco instrumental. "Vou misturar o sotaque da surf music com a batida do tecnobrega, que é muito próximo também. Muita guitarra, muita batida, vai ficar nessa linha. Vai ser divertido. É um disco de melodias. Não vai ter letra, no máximo um refrão", adianta Félix Robatto. "Já era para ter saído esse disco, mas aconteceu um incidente: roubaram meu computador com todos os arquivos, eu tive que regravar tudo, e muitas das coisas eu esqueci mesmo, tive que fazer música nova, perdi a matriz mesmo do disco", desabafa ele, que também lança o DVD "As origens da lambada" ano que vem.

Este ano, o artista lançou o disco 'Guitarrada para bebês', com releituras de clássicos paraenses voltadas para os pequenos. "Esse projeto foi muito bacana. O lançamento que a gente fez aqui (em Belém) foi muito legal, muita gente levou os filhos lá para conhecer o disco e teve uma dinâmica com profissionais que trabalham com música infantil. Está sendo muito bacana a receptividade. Inclusive os adultos estão curtindo muito, porque é uma música que não é só para bebês, ela é para ninar, calma, tranquila, as melodias são bem marcantes, de guitarrada, e a galera vem muito falar comigo: 'Ah, curti o teu disco e tal.' Gente mais velha, que às vezes não tem nem filho e está ouvindo o disco", diverte-se.

Vai lá:
Lambateria
Quando: Domingo, 2 de dezembro, das 18h às 4h
Onde: Boca. Praça Tiradentes, 85, Centro
Quanto: R$ 10

Sobre a autora

Kamille Viola é jornalista, com passagens e colaborações por veículos como O Dia, O Globo, O Estado de S. Paulo, Billboard Brasil, Bizz e Canal Futura, entre outros. Nascida e criada no Rio, graças ao jornalismo já andou pelos mais diversos cantos da cidade.

Sobre o blog

Do pé-sujo mais tradicional ao mais novo (e interessante) restaurante moderninho, do melhor show da semana à festa mais comentada, este blog busca fazer jus à principal paixão do carioca: a rua.