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Carlos Dafé leva baile para o Rival e prepara disco com músicas de Tim Maia

Kamille Viola

26/10/2018 14h43

Batizado de Príncipe do Soul, o cantor e músico Carlos Dafé apresenta hoje no Teatro Rival o show "Carlos Dafé 7 ponto 1″, que celebra seu aniversário de 71 anos, comemorado ontem. Como já virou praxe na data, ele sobe ao palco acompanhado por um extenso time de convidados.

"Eu venho comemorando o meu aniversário no Rival desde que fiz 53 anos. Então já se completam 18 anos que estou fazendo esse show, a cada ano com um título diferente", comenta Dafé. "Meu show passeia pela diversidade da música brasileira. Esse vai do soul ao rap, passando pelo samba, o samba-rock, o soul da antiga e o charme", enumera Dafé.

Pedro Bial, que ficou amigo de Dafé depois que o cantor participou de seu programa de entrevistas, vai ler um poema em homenagem ao aniversariante. Já Theozin, filho do apresentador, cantará com Dafé a música "O De Repente". Gerson King Combo, Hildon, Don Beto, Paulinho Mocidade, Alvaro Rio, Dico, Alnselmo, Renato Bigui, Zulu King TR, DJ A, Perviguladez, Snoopy Crioulo, Zulu MC 4-Ó e DJ Luan Filipe são outros nomes que dividem o palco com o anfitrião.

Nascido José Carlos de Souza, ele estreou em disco com a banda Fuzi 9, formada por fuzileiros navais, em 1970. O LP hoje é disputadíssimo. "Na Europa, Estados Unidos e Japão, custa caríssimo", comenta Dafé. Fez parte da banda  Abolição, de Dom Salvador, e em 1972 gravou um compacto simples. Tim Maia ouviu e o chamou para fazer parte de sua banda. "Toquei com ele seis meses, mas amigos ficamos até o fim da vida", lembra.

Dafé pulou fora na época da fase Racional, em que Tim se encantou pela à Cultura Racional, seita fundada pelo médium carioca Manoel Jacintho Coelho que tem como base uma série de livros chamada "Universo em desencanto". "Eles eram loucos varridos! Numa ditadura militar, poderia ter ido todo mundo preso e enquadrado", acredita o cantor. "Eu já tinha passado um tempo no presídio naval (entre 1971 e 1972) — fui na mangueira buscar manga-rosa, que é o que tem na mangueira (risos). Imagina correr esse risco de novo", diz.

O primeiro disco solo, "Pra que vou recordar", é de 1977. A faixa "Pra que vou recordar o que chorei" foi seu maior sucesso: teve mais de cem regravações, em diversos idiomas. "A cruz" e "Da alegria raiou o dia" também foram destaques da gravação. Um clássico da black music nacional, o disco contou com músicos da banda Black Rio na banda Cristovão Bastos (Fender Rhodes), Claudio Stevenson (guitarras), Jamil Joanes (baixo), Luiz Carlos (bateria e percussão) e Oberdan P. Magalhães (sax), além de  José Roberto (órgão, sintetizador e clavinet) e Marcos Resende (sintetizador e moog). Relançado em vinil recentemente pela Polisom, dará origem a um show comemorativo. "Vou gravar esse show na íntegra, assim como foi gravado o disco originalmente, ao vivo", conta Dafé.

Cheio de histórias sobre a convivência com Tim Maia, Dafé prepara um projeto comemorativo, que inclui álbum e DVD, com repertório do amigo. A ideia surgiu quando ele participou de uma série de shows que o coletivo paulista Instituto fez em homenagem ao disco "Tim Maia Racional" (o primeiro deles em 2007), que contou ainda com nomes como Seu Jorge, BNegão e Thalma de Freitas. A produção será de Marlon Sette e Bid.

Sette também foi um dos produtores do trabalho mais recente de Carlos Dafé, o álbum "Bem vindo ao baile", de 2016, ao lado de Fellipe Pinaud. "Em breve vamos disponibilizar ele nas plataformas digitais", adianta o cantor, que ainda planeja lançar um documentário e um filme sobre sua vida. "Aos 71 anos, me mantive moderno, não deixei a peteca cair. Até por que tive várias influências, pela minha família, vizinhos, onde fui criado (ele nasceu em Vila Isabel e foi criado na Penha). A música regional imperava, o forró, o chorinho, tive a época da música latino-americana, dos boleros, das rumbas, aí veio rock'n'roll, o jazz. Eu assimilei tudo. Inclusive cantos vários gêneros. Sempre fui antenado", comemora.

Vai lá:
Quando: Sexta-feira, 26 de outubro, às 19h30
Onde: Rua Álvaro Alvim, 33/37, Cinelândia. Telefone: (21)
Quanto:  R$ 30 (meia-entrada), R$ 40 (100 primeiros pagantes) e R$ 60

Sobre a autora

Kamille Viola é jornalista, com passagens e colaborações por veículos como O Dia, O Globo, O Estado de S. Paulo, Billboard Brasil, Bizz e Canal Futura, entre outros. Nascida e criada no Rio, graças ao jornalismo já andou pelos mais diversos cantos da cidade.

Sobre o blog

Do pé-sujo mais tradicional ao mais novo (e interessante) restaurante moderninho, do melhor show da semana à festa mais comentada, este blog busca fazer jus à principal paixão do carioca: a rua.